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A Casa do Migrante destina-se a acolher migrantes internos recém-chegados; imigrantes e refugiados, àqueles envolvidos num dos dramas mais candentes do mundo de hoje o da mobilidade humana, sem distinção de sexo, etnia, cor, credo, nacionalidade ou qualquer outra forma passível de discriminação.

Até um passado recente, quando a migração para os pobres era sinônimo de mobilidade social, um curso profissionalizante constituía passaporte seguro para a integração na sociedade. Hoje, para o pobre, a migração representa apenas a busca de alternativas de pobreza. Esta mudança repercutiu na alteração do perfil dos migrantes que passam pelos albergues.

Os migrantes internos, normalmente vindos de outras andanças, são pessoas, em sua maioria, para as quais as chances de reconstruir de forma estável os laços de pertença efetiva a um novo grupo descortinam-se cada vez mais remotas. Quer o mercado de trabalho, quer seu histórico de vida familiar e pessoal, ao que se somou o ato de migrar, constituem fatores que, somados, dificultam sobremaneira a possibilidade de uma inserção estável no cotidiano da sociedade moderna, calcado no tripé: trabalho, família e lazer.

Aos migrantes internos, que até o ano de 1997 representavam 93% dos que passavam pela Casa, atualmente agregam-se, numa tendência crescente, os imigrantes, sobretudo dos Países Andinos e do Cone Sul e, mais recentemente, africanos, esses últimos pleiteando a condição de refugiados. Se para os migrantes internos as perspectivas não são promissoras, para os demais o drama é em muito agravado.

Atualmente, as pessoas acolhidas apresentam o seguinte perfil: 89% ingressam no serviço Casa do Migrante pela 1ª vez; 92% são pessoas sozinhas, sendo apenas 8% constituídas de famílias; 90% do sexo masculino; 14% com curso superior completo ou incompleto, 28% com 2º grau completo ou incompleto, 43% com 1º grau completo ou incompleto; 38% com idade entre 31-44 anos, 36% entre 18 e 30 anos e 18% entre 45 e 59 anos. No tocante à nacionalidade, 65% brasileiros e 35% de outros países.

Todavia, a presença nesta Casa, de imigrantes e/ou refugiados no dia-a-dia é superior a 50%, o que se deve ao fato das maiores dificuldades enfrentadas pelos mesmos, acarretando um tempo de permanência maior na Casa do Migrante. Quanto ao tempo de permanência dos usuários, aproximadamente 15% permanecem entre 1-5 dias, 10% entre 6-15 dias, 21% entre 16-30 dias, 19% entre 31-60 dias, 13% entre 61-90 dias, 14% entre 91-180 dias e 8% mais que 180 dias.

 

 
 
 
   


     
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