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A Casa do Migrante, é um espaço solidário num ambiente físico agradável e bonito, digno para acolher os que não encontram lugar para reclinar sua cabeça.
Entretanto, temos clareza que a Casa é também uma caixa de ressonância dos problemas da própria sociedade (em especial do desemprego), bem como dos rompimentos das relações no âmbito familiar e pessoal. No final dos anos de 1970, a Casa recebia, majoritariamente, famílias compostas por jovens casais acompanhados de seus filhos.
Tão logo chegassem, os migrantes eram absorvidos pelo mercado de trabalho e/ou acolhidos pelos que na migração familiar os haviam antecedido. A partir de 1990, a Casa passou a receber, em sua maioria, pessoas sozinhas, com idade entre 20 e 40 anos, em busca de trabalho. Hoje, a Casa, que tem como finalidade acolher os que chegam, depara-se cada vez mais com a crescente mobilidade a que essas pessoas são submetidas em virtude da escassez de oportunidades para a inserção no mercado de trabalho. E aos que conseguem alguma ocupação, trata-se, quase sempre, de serviços temporários e/ou "bicos" que não possibilitam alavancar o sonho de um endereço fixo.
Se para os migrantes internos os desafios já são grandes, outros somam-se para o caso dos imigrantes e refugiados. A Casa do Migrante, atualmente, é um reflexo claro, em miniatura, dos problemas da globalização.
Na sociedade de mercado, altamente competitiva e excludente, cabe-nos a tarefa de manter acesa a chama da auto-estima daqueles que ainda tentam equilibrar-se como que sobre um fio de navalha – na sua maioria, jovens.
Para tanto, persiste o desafio cotidiano de manter a estrutura existente em funcionamento e a necessidade de criativamente, numa instituição desafiadora como esta, oferecer atividades sócio-educativas e recreativas permanentes aos migrantes, o que requer pessoas voluntárias.
Para os problemas estruturais, cabe-nos manter viva a utopia de mudanças da ordem social ampliando o leque das nossas ações para além das paredes da Casa do Migrante.
"Qualquer que seja seu lugar de residência, o homem tem direito a possuir uma pátria, na qual se encontre como se fosse sua própria casa. Para pode realizar-se numa perspectiva de segurança, de confiança, de concórdia e de paz." (João Paulo II)
A Casa do Migrante é um espaço solidário, num ambiente físico agradável,bonito e digno para acolher os que não encontram lugar para reclinar suacabeça. Se para os migrantes internos os desafios já são grandes, outrossomam-se para o caso dos imigrantes e refugiados.
A Casa, atualmente, e um reflexo claro, em miniatura, dos problemas daglobalização. |